A má fase do Facebook e o depoimento do Google




MERCADO - DIGITAL, MARKETING E COMUNICAÇÃO

A má fase do Facebook

Por mais que tente se reorganizar (e a Fast Company até aponta três passos que ele e outras gigantes de tecnologia precisam fazer para consertar as coisas), a cada semana um fato novo acaba por afetar as bases do Facebook. Mensagens divulgadas publicamente sugerem que a imagem idealista que a empresa promoveu em sua existência foi só uma cortina de fumaça cuidadosamente cultivada. No fundo, eles queriam mesmo era ganhar dinheiro e esmagar a concorrência [via BrandEquity]. Há inclusive rumores de que o fundador da plataforma, Mark Zuckerberg, esteja à caça - na Microsoft - de um novo executivo para o alto escalão - o que colocaria Sheryl Sandberg em risco [via The Information]. A novidade: milhões de fotos privadas dos usuários foram acessadas por cerca de 1.500 aplicativos de mais de 800 diferentes desenvolvedores (incluindo as enviadas pelo público para o marketplace e para o stories), admitiu a plataforma em comunicado oficial. Estima-se que cerca de 6,8 milhões de imagens tenham vazado no mesmo período em que os dados de 50 milhões de usuários ficaram expostos, em setembro deste ano. De carona nesta nova falha, o site Statista publicou um gráfico no qual mostra que, das grandes empresas de tecnologia, as pessoas confiam menos no Facebook quando se trata de guardar suas informações pessoais, com índice de 40% de rejeição. Num distante segundo lugar estão o Twitter e a Amazon, ambas com 8% [via MobileTime].

Google responde

O CEO da empresa, Sundar Pichai, testemunhou no Congresso norte-americano pela primeira vez, depois de ter desistido em setembro, quando o CEO do Twitter, Jack Dorsey, e a COO do Facebook, Sheryl Sandberg, compareceram perante os legisladores. Pichai também apresentou seu testemunho escrito. Boa parte dos questionamentos dos congressistas apontavam para alegações de que a plataforma teria um viés contrário aos conservadores, além de algumas perguntas bastante estúpidas [via Tech.co]. Mas também tocaram em pontos fundamentais - reunidos pela Business Insider - como práticas antitruste, proteção de dados, negócios com a China, entre outros.

O jornalismo e a mídia digital em 2019

Todos os anos o NiemanLab consulta diversos especialistas e referências no jornalismo e também da mídia digital para captar percepções sobre o que vem pela frente. O resultado é um especial com as previsões para 2019. As dificuldades ficaram mais concretas ao longo deste ano. A queda da receita publicitária é a maior preocupação de jornalistas, conforme levantamento da Sweet Spot com profissionais de 52 países em relação à indústria de notícias. A Time, que todo ano elege a personalidade mais relevante, escolheu os jornalistas ao redor do mundo [via Meio&Mensagem]. A publicação celebrou profissionais vítimas de perseguição e de ameaças por conta do exercício jornalístico e explica. Mas as questões vão além das questões de segurança. Na tentativa de recuperar algum tipo de proximidade junto aos veículos de imprensa - depois de fechar as torneiras para os publishers em termos de audiência - o Facebook anunciou a expansão do Instant Articles [via MediaPost]. Na prática, como mostramos na edição passada, os veículos vêm tentando encontrar toda e qualquer forma de transformar a audiência em dinheiro. Algumas empresas de mídia estão descobrindo que podem criar novas linhas de receita vendendo seus dados. Pesquisa feita por Lotame com 300 executivos de alto escalão dos EUA em empresas de mídia digital e marketing diz que um terço dos entrevistados relatou que estão vendendo seus dados de audiência [via eMarketer]. Até o BuzzFeed está apelando para o modelo de paywall para tentar fechar as contas no azul [via NiemanLab].

Venda, reintegração e fim da impressão

A Editora Abril, em recuperação judicial desde agosto, busca compradores. Reportagem do Valor diz que há, pelo menos, um interessado - a Legion Holdings, sociedade de investimentos do advogado Fábio Carvalho, especializado em comprar empresas nestas condições. A editora, aliás, foi obrigada pela Justiça a reintegrar em seus quadros profissionais demitidos desde julho de 2017 [via Comunique-se]. Ainda no Brasil, a Editora Caras quer priorizar investimento em digital e vídeo, com equipe focada e construção de novos estúdios e encerrou a versão impressa da Contigo [via Meio & Mensagem].

Desvalorização

A Verizon Communications Inc. está admitindo a derrota. Em sua cruzada para transformar uma colcha de retalhos de empresas da era pontocom em uma operação on-line próspera, reduziu o valor de suas aquisições da AOL e do Yahoo em US $ 4,6 bilhões (uma desvalorização de 96% em relação ao valor de compra), um reconhecimento de que a forte concorrência pela publicidade digital está levando a uma queda na receita e no lucro. O movimento vai apagar quase a metade do valor da divisão que estava chamando de Oath, que abriga a AOL, o Yahoo e outras empresas como o Huffington Post [via Bloomberg].

Decadência

Os tempos andam duros para o Snapchat - aqui no Brasil a plataforma não chegou a conquistar a audiência. Alguns dos principais criadores de conteúdos nos Estados Unidos andam reclamando que o serviço perdeu o apelo e não cumpriu as promessas de ajudar sua comunidade a prosperar [Via AdAge].

Estrago

A agência de notícias Reuters está passando por uma revisão de suas redações globais, que deve acabar em uma série de cortes de empregos editoriais. A Thomson Reuters, empresa controladora da Reuters, anunciou na semana passada que reduzirá sua força de trabalho global em 12%, o que equivale a 3.200 empregos, em um plano de redução de custos e otimização nos próximos dois anos [via Press Gazette].

O “panóptico” da vida real

Uma grande reportagem especial do The New York Times revela que dezenas de empresas usam os dados de localização dos smartphones para ajudar os anunciantes e até mesmo os fundos de hedge. Eles dizem que é anônimo, mas os dados são vendidos sem o consentimento das pessoas.

Os futuros consumidores

Tá todo mundo muito de olho na geração Z - pessoas nascidas em meados da década de 1990. Eles estão amadurecendo e as empresas começam a olhar como potenciais consumidores. O AdAge Studio e a UNiDAYS fizeram um levantamento em conjunto para construir um raio-x desses perfis. O FutureVision, da R/GA, aponta que esta geração “Not So Selfie” é mais esperta e melhor do que imaginamos.

Boa ação

A empresa de mídia exterior Clear Channel, em ação conjunta com a Prime Weber Shandwick, está usando seus outdoors digitais para ajudar os desabrigados em Estocolmo neste inverno, direcionando-os para o abrigo mais próximo quando está muito frio na rua [via AdAge].

Mais stories e tome audição

O Facebook está mesmo disposto a promover o stories. A mais recente empreitada é levar o recurso para os Grupos [via TheVerge]. Além disso, também lançou a possibilidade de envio de áudio no chat privado do Instagram [via Canaltech].

Posse chocha

A era é da política imagética, mas a cobertura da diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro, foi bastante tímida entre as emissoras de TV aberta. Esta relação, aliás, deve estar no foco de uma equipe nova na gestão da comunicação, incluindo os contratos de publicidade [via Poder360]. O futuro ministro-chefe da Secretaria de Governo, Gustavo Bebianno, confirmou que a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência da República não ficará mais sob sua responsabilidade e será vinculada à Secretaria de Governo. À frente da Secom deve ficar o publicitário Floriano Barbosa de Amorim Neto, que atua na equipe de transição analisando a estrutura e os contratos de publicidade da secretaria [via Agência Brasil]. A Comunicação foi alvo de desavenças dentro da equipe de transição após Bebianno afirmar, há algumas semanas, que o vereador Carlos Bolsonaro (PSL), do Rio, iria influenciar a decisão do comando da Secom [via Estadão]. Houve registro de que o movimento nas plataformas sociais sobre o político caiu bastante depois da eleição, mesmo que uma pesquisa tenha constatado que cerca de um em cada quatro brasileiros com smartphone, ou 26% precisamente, afirmam ter recebido mensagens com propaganda eleitoral enviadas por números desconhecidos durante a campanha deste ano [via MobileTime].

Corporativismo

Uma regra foi editada pela Corregedoria Nacional, em resposta às diversas manifestações de juízes e desembargadores em apoio a candidatos e partidos, fez a magistratura reclamar. Chamado de provimento, proíbe manifestações "político-partidárias" nas mídias sociais. Para juízes, ela restringe a liberdade de expressão, o que é inconstitucional. Mas o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal,  já reconheceu a validade do provimento, lembrando que a restrição a manifestações políticas por juízes está na Constituição. Mas o tema continua em discussão [via Conjur]. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julgou 11 juízes que respondem a processos por terem se manifestado em redes sociais durante as eleições deste ano, mas arquivou tudo [via G1].


TECNOLOGIA E EMPREENDEDORISMO

Um ano de mentiras

O mundo da tecnologia contou muitas mentiras em 2018. Alguns jogadores do Vale do Silício até começaram a acordar para as mentiras que disseram a si mesmos ao longo dos anos. Com uma enxurrada de falsidades, o Gizmodo reuniu algumas das principais que acabaram por minar boa parte da confiança das pessoas nestas companhias e seus produtos.

Streaming na frente

As redes tradicionais de TV a cabo estão em perigo e podem ser enterradas pelos gigantes do streaming. Segundo pesquisa anual encomendada pela FX, como aponta o AdAge, os serviços de streaming em 2018 produziram 160 programas, superando os conteúdos das redes de transmissão (146) e os de cabo desenvolvidos por FX, AMC e TNT (144). O canais premium, como HBOs e Showtimes, geraram 45 roteiros de séries este ano. As séries de streaming agora respondem por quase um terço (32%) de todo o conteúdo de scripts desenvolvido para a TV. A Netflix aproveitou para apontar os seus maiores sucessos deste ano e indicar o que pretende levar ao público em 2019 [via TBVision e VanityFair]. Afinal, seu maior competidor não é o sono, como já chegou a afirmar o CEO, mas o Youtube [via VentureBeat]. A guerra do streaming deve continuar a crescer nos próximos 12 meses, aponta especial do Digiday. A Wired, porém, traz uma reportagem que fala que o streaming não é tudo e que a volta do blu-ray é uma opção.

China x EUA

A prisão no Canadá da executiva da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido do governo americano pode ter efeitos ruins para algumas empresas. Em especial a Apple, que vê 20% de seu faturamento global vindo da China. Além disso, um tribunal chinês baniu a venda de alguns modelos antigos de iPhone como consequência de uma briga judicial contra quebras de patente entre as americanas Apple e Qualcomm. É possível que outras gigantes de tecnologia dos EUA enfrentem mais dificuldades para entrar ou ampliar os negócios na China [via BBC].

Musk x SEC

Quem andou causando novamente foi o fundador da Tesla, Elon Musk. A SEC - órgão regulador norte-americano - havia processado o executivo sob a alegação de declarações no Twitter sobre os rumos da companhia. A resposta: “eu não respeito a SEC”. Para completar, informou que ninguém aprova ou lê suas mensagens antes que sejam publicadas [via Futurism].


AGÊNCIAS

Sacudida

Comandada por Fabio Fernandes desde a sua fundação em 1994, a F/Nazca Saatchi & Saatchi anuncia plano de reposicionamento dentro do Grupo Publicis. A proposta é ser reconhecida pela holding como a Creative Hotshop. Outro passo importante foi a parceria firmada com o BuzzFeed Brasil no desenvolvimento de um laboratório de conteúdo para plataformas de mídias sociais.

Rebrand

A WPP passou por um processo de reformulação da marca com a intenção de refletir a reestruturação do negócio - com 140.000 funcionários em todo o mundo. Quer representar ambientes variados com a proposta de mostrar como uma rede de agências pode se adaptar aos desafios dos clientes e do setor [via The Drum]. Após o retorno do co-fundador Alex Bogusky, a CP+B também passa por reformulação e agora é CPB+ [via MediaPost].

Na direção da transformação digital

A discussão e os movimentos sobre a mudança do escopo das agências em algo mais próximo de consultorias vêm crescendo. A Isobar anunciou o lançamento da "Transformation Consulting", uma oferta para ajudar as empresas a definir estratégias de transformação digital. Conta com 275 consultores, estrategistas e tecnólogos em toda a rede global da empresa.


DOWNLOADS

Sala de aula e liberdade de expressão

Material organizado por diversos professores e pesquisadores traz uma reflexão sobre a forma de ensino de comunicação no Brasil. O relatório é resultado de debates e discussões nos Congressos Nacionais e Regionais do Intercom. A nova edição do relatório anual publicado pela ARTIGO 19 – a Agenda de Expressão (XpA ou Expression Agenda) – mostra declínio significativo na garantia do direito à liberdade de expressão em nível global nos últimos três anos como resultado, inclusive, da decadência mundial da liberdade de imprensa e pelo aumento da intimidação de comunicadores, incluindo a prática de ataques físicos e verbais contra jornalistas.

Gastos com mídias sociais

A equipe do SocialMediaToday realizou uma investigação sobre gastos com mídias sociais. O documento pode ser encontrado aqui e eles também falam sobre os principais canais que terão foco.


Rapidinhas...

… ou o que andamos lendo!