MERCADO - DIGITAL, MARKETING E COMUNICAÇÃO

No cerrar das cortinas...

Medida provisória editada em 27 de dezembro de 2018 - nos últimos dias do governo de Michel Temer - criou a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que responderá à Presidência da República. O novo órgão, que altera a Lei Geral de Proteção de Dados, não terá autonomia financeira, apenas técnica. Entre suas competências, zelar pela proteção dos dados pessoais, fiscalizar e aplicar sanções, difundir o conhecimento sobre as normas e políticas públicas de proteção de dados e medidas de segurança, adoção de padrões para serviços e produtos, entre outros mecanismos. A entidade também servirá como reguladora de setores específicos da atividade econômica e governamental. Entre as alterações diretas na Lei 13.709/2018, as restrições de informações de bancos de dados, quando se tratam de assuntos do Executivo, comunicação ao titular e até em informações consideradas sensíveis. Desde o primeiro semestre de 2018, a constitucionalidade da criação da ANPD era tema de discussão em diferentes setores. Para a Associação de Consumidores Proteste, a assinatura "no apagar das luzes" é importante, mas discutível, uma vez que pode estar diretamente ligada a interesses políticos. O ComputerWorld explicou esses reflexos. Advogados, surpresos e preocupados, simultaneamente, pensam em levar a discussão para o Congresso Nacional, uma vez que o fluxo de informações de outros países com o Brasil poderá ser prejudicado. A movimentação para isso, aliás, já começou nos bastidores. E o Brasil terá até agosto de 2020 para se adaptar à Lei Geral, diz o Estadão.

Mudança de comportamento I

Há muitas críticas em relação à utilização de mídias sociais. Dentro de todo este bolo, um dos temas que mais vem recebendo atenção é o vício (e as consequências dele) causado pelas plataformas. Segundo o Tecmundo, um novo experimento realizado por cientistas norte-americanos revela que as pessoas obcecadas pelo Facebook possuem tendências similares às que abusam de drogas como cocaína e heroína - e meninas são as mais afetadas. Outra pesquisa, apresentada pela Fast Company, aponta que as pessoas se comparam a amigos do Facebook que consideram "em melhor situação" acabam por relatar piores sintomas de saúde física. Por falar nisso, a Fast Company traz um especial sobre um dispositivo que pretende ser uma rebelião aberta contra tudo o que os smartphones se tornaram. Tem, também, o filtergram.app, projetado para usuários anti-sociais de redes sociais. A estreia do seriado “You”, na Netflix, fez todo mundo refletir sobre o stalking. Quais são os limites? Quem nunca se sentiu um pouco como o personagem Joe Goldberg, interpretado por Penn Badgley? Uma  colaboradora da Vogue faz um relato do seu pior momento como invasora da privacidade alheia.

Mudança de comportamento II

Professora de psicologia da Universidade de Hull, no Reino Unido, Giuliana Mazzoni é especialista em memória. E fez uma análise interessante sobre como a obsessão em tirar fotos ou selfies de tudo pode afetar as nossas lembranças afetivas mais significativas. Para a especialista, a distração tecnológica pode nos levar a uma recordação bem mais pobre do evento.

Mudança de comportamento III

Não só a nossa memória vem sendo afetada com as tecnologias à mão. Um vibrador premiado por suas evoluções robóticas, desenvolvido e aprimorado na Universidade do Oregon, simplesmente foi barrado na CES 2019 - considerado um gadget "sem categoria" adequada para ser apresentado. A Wired mostra como a sexualidade feminina ainda é um triste tabu para a tecnologia.

Nada mudou de lugar

O quanto o Facebook aprendeu com os problemas do ano passado? Não sabemos. O fato novo é que a Bloomberg informou que o gigante da mídia social assinou uma série de acordos não abertos com fabricantes de smartphones Android, operadoras de telefonia móvel e sistemas operacionais ao redor do mundo para não apenas pré-carregar o aplicativo no hardware, mas tornar o software indecifrável, além de mantê-lo de forma permanente no dispositivo. A Harvard Business Review explora as possibilidades de renúncia de Mark Zuckerberg. A Cambridge Analytica - responsável por iniciar as crises do Facebook - declarou-se culpada no caso de acesso a dados no Reino Unido [via MediaPost]. A Fast Company analisa como a Microsoft conseguiu escapar do escrutínio por problemas de privacidade - ao menos até agora.

Vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda

O mundo de publishers e jornalistas anda bem complicado (aproveite para ver a retrospectiva que fizemos). As novas tecnologias e os algoritmos transformaram os fluxos de comunicação e o mercado [via Valor]. Nic Newman entrevistou 200 líderes digitais (editores-chefes, CEO’s e diretores-gerentes, editores tradicionais e também nascidos na era digital) de 29 países para ter uma noção das tendências gerais e das coisas em que estão pensando para 2019. Se vale como consolo, saiu o Ad Age Magazine A-List, a lista anual de veículos que se destacaram no ano anterior.

Jogo é jogo, treino é treino

A Folha de S.Paulo conversou com ex-secretários de Comunicação e porta-vozes de governos anteriores para entender o que mudou e qual a interferência dos meios digitais no processo eleitoral. Agora, porém, tudo é diferente. O jornal também noticia que contas oficiais em redes sociais mostraram apoiadores do presidente e mensagens de apoio, que acabaram apagadas. Ainda nesta toada, o The Intercept conta como o Youtube se tornou um celeiro da nova direita radical.

Tudo ao mesmo tempo agora

O Instagram anunciou nesta semana uma novidade para quem gerencia mais de uma conta na plataforma social de imagens. O recurso permite publicar o mesmo post em múltiplas contas de uma só vez [via IDGNow!]. Quem também trouxe mais ferramentas para os editores foi o Twitter [via DigitalNewsDaily].

Show me the money

A Amazon vai expandir seu programa de marketing de influência. A proposta é trabalhar com diversos microinfluenciadores por meio de uma plataforma desenvolvida pela Influence.co para a companhia. A gigante vai pagar uma comissão de até 10% a depender do acordo e do tipo de produto. A marca também vem veiculando anúncios no Instagram para atingir os influenciadores [via MarketingDive].

Baixe, por favor

A publicidade em aplicativos deve movimentar US$ 64 bilhões até 2020. Os dados são da AppsFlyer, especialista em atribuição mobile e análise de dados para aplicativos. A avaliação prevê que os gastos com publicidade para instalação de aplicativos devem subir 65% de 2018 a 2020, para, então, crescer mais 34% ao longo de um ano e gradualmente entrar numa rota de queda [via TI Inside].

"6 segundos" dá bilhão?

Relatório do E-Marketer alerta: os gastos com anúncios para dispositivos móveis nos Estados Unidos vão superar os de mídia tradicional combinados até 2020 e quase dobrarão, em relação ao período previsto, passando de quase US$ 16 bilhões este ano para quase US$ 25 bilhões em 2022 - ou seja, nove de cada 10 dólares gastos em anúncios em vídeo para celulares serão negociados programaticamente nesse período. Profissionais de marketing terão, inclusive, novos formatos para experimentar, incluindo anúncios em vídeo de 6 segundos - não verificáveis, verticais e premiados, que dão aos espectadores mais controle sobre a experiência do anúncio, trocando a atenção por algo que realmente valorizam.

Fiquem com Deus e até nunca mais!

O fim melancólico do Vídeo Show, após 35 anos de existência - uma das mais longevas atrações da Rede Globo -, suscitou discussões interessantes e não somente nas editorias de entretenimento dos sites de notícias. O programa, que nitidamente perdeu a vitalidade com o passar dos anos, teve seu auge com a dupla de atores Miguel Falabella (à frente de 1987 a 2000) e Cissa Guimarães. Porém, embora a Globo tenha "festejado" o encerramento, o que se deu nos bastidores foi um quadro bem mais desolador: surras sucessivas de audiência, trocas equivocadas de apresentadores sem nenhuma empatia com o público, enfraquecimento gradativo e, por fim, o encerramento abrupto. Ao longo dos últimos anos - com a ressalva vitoriosa de Mônica Iozzi à frente da atração -, a mistura de digital influencers sem nenhuma habilidade, situações constrangedoras e, acima de tudo, a tentativa de integração de um programa tradicional com as mídias sociais simplesmente melou. As mesmas mídias, aliás, que criticaram com veemência a última edição do programa, que foi ao ar em 11 de janeiro.

crédito: reprodução/ tv globo


TECNOLOGIA E EMPREENDEDORISMO

Desembarque pelo lado chinês do trem

O ano começou, com ele a Consumer Electronics Show 2019 (CES) - tem um bom resumo sobre o grande evento aqui - e a China já mostrou que não estava para brincadeiras, justamente em Las Vegas - a tradicional terra do jogo. Num pavilhão central onde Sony, IBM e Microsoft disputavam as atenções, quem ganhou em pompa e circunstância foi mesmo a Huawei - que nem está presente nos Estados Unidos com seus celulares, mas viajou para falar com o "resto do mundo". Foi quase uma malcriação: as relações comerciais entre China e Estados Unidos andam tensas, desde que Meng Wanzhou, herdeira do CEO da companhia, foi presa no Canadá a pedido do FBI. E num evento onde os smartphones já deixaram de ser a grande estrela há algum tempo, a Huawei ignorou solenemente a tradição: o Mate 20 virou o "queridinho" do evento. O Olhar Digital ficou impressionado com o desempenho do aparelho - que pode chegar ao Brasil logo menos, juntinho com a Alibaba, segundo o IDGNow! noticiou em novembro. Para além dos holofotes nos chineses, o Tecmundo listou os gadgets mais inventivos - e estranhos - desta edição.

Mais dinheiro para a IoT

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dobrou o orçamento de chamada pública para IoT (Internet das Coisas) e apoiará 15 projetos-pilotos com R$ 30 milhões. A seleção priorizou soluções executadas por instituições tecnológicas públicas ou privadas sem fins lucrativos dentro do foco de cada um dos seguintes ambientes: cidades inteligentes, ambiente rural e saúde [via TI Inside].

Nem tão ruim assim?

O Colégio Real de Pediatria e Saúde da Inglaterra anunciou esta semana que, de acordo com estudos realizados, não é possível garantir que as telas dos smartphones sejam nocivas à saúde das crianças. Os especialistas afirmam que os pais devem se preocupar menos com a utilização e mais com a quantidade de horas dos pequenos à frente dos aparelhos e a substituição das atividades físicas pela prática. Segundo eles, isso já é "parte da vida moderna" e "não há como colocar o gênio de volta à garrafa". Enquanto a afirmação ainda pairava nos ares europeus, sem muitas certezas, estudo da Universidade de Guelph cravava: pais que usam tempo de tela como castigo ou recompensa para os filhos também são os indivíduos que passam mais tempo na frente dos aparelhos.

Look up here, I'm in heaven

David Bowie só estará no céu (e não em seu celular) se você quiser: em comemoração aos seus 71 anos - três de morte, em 10 de janeiro -, a Sony Music lançou o aplicativo "David Bowie is...", que traz um belíssimo acervo em forma de realidade aumentada, bem ao alcance das mãos. São mais de 400 itens para explorar, incluindo vídeos, imagens da vida de Bowie, videoclipes interativos e narração do Gary Oldman. Sete telas pintadas pelo próprio Bowie também aguardam os fãs, na reprodução digital e ousada da exposição original do Victoria and Albert Museum, que correu o mundo por quatro anos. Mas fique atento: embora Google Play e App Store disponibilizem o app, ele não se mostra compatível em todos os smartphones - e no Brasil, custa R$ 29,90.

Atropelamento e fuga

"Num acidente de trânsito, quem você prefere que morra, entre...". Ok, paramos. Você já deve ter ouvido essa pergunta recentemente. Você e pelo menos milhões de outras pessoas, em 200 países diferentes. O experimento virtual, "Moral Machine", pertence ao MIT e, em tese, só deveria ajudar a calibrar os sensores de "certo" e "errado" dos carros autônomos ainda em teste. Entretanto, a plataforma de participação pública levou a discussão a outro patamar: qual a sua percepção sobre o valor dos diferentes tipos de vida humana? E vida animal? Brasileiros, por exemplo, salvariam também "pessoas em forma". E é sério: a Folha deu.

A vida como ela é

Que o #Metoo afetou diferentes setores da economia norte-americana em 2018 - incluindo o "tiro" em Harvey Weinstein -, já sabíamos. Mas em 2019, quais caminhos serão possíveis, frente às transformações provocadas pelo movimento? Algumas das políticas mais abrangentes dos Estados Unidos em relação ao assédio sexual estão em discussão: a indústria de tecnologia já se posicionou em favor dos trabalhadores mais vulneráveis, com regras mais veementes. As condutas inadequadas também estão sob revisão em veículos de comunicação, onde até acusações de retaliação com base em etnias vieram à tona, por estes dias. Tais reflexões estão levando publishers a adotar cláusulas de conduta moral em seus novos contratos - e até atualizando os mais antigos -, na tentativa de coibir ou evitar grandes escândalos desse (baixo) nível. O que ainda não se sabe é até que ponto as empresas desejam mesmo proteger seu "passivo humano" ou se tais exigências também visam interesses comerciais - afinal, somente na indústria da mídia, 57 nomes foram acusados publicamente. Tem até lista.

Nada de novo no front

"Se todo mundo já tem tecnologia digital e acesso ao capital, o que vai nos diferenciar em 2019?". Para Keith Johnston, diretor de pesquisa da Forrester, o fator "marca" é o que vai proporcionar os destaques. A entrevista do especialista foi concedida ao Marketing Dive, que listou as "7 tendências definidas para moldar o marketing" no ano que está começando. Investimentos mais pesados em dados e comércio eletrônico, bem como aquele toque de criatividade "de sempre", são algumas delas.


AGÊNCIAS

Toma lá, dá cá

Levantamento realizado pelo Meio & Mensagem lista as trocas de agências, concorrências, alinhamentos, licitações, entradas de marcas e voltas à mídia.

O balanço do mercado apresentou cerca de 280 ocorrências no ano passado. O The Drum mostra que a configuração do modelo de agências no mercado se tornou mais complexa para os profissionais de marketing. E o ano já começa com mais mudanças. A You & Mr. Jones, fundada em 2015 pelo ex-CEO global da Havas, David Jones, adquiriu a Inside Ideas Group, empresa que controla a operação da Oliver, especializada no desenvolvimento de agências in-house customizadas [via The Drum].

Quando o Tio Sam pegar no tamborim

O método, já conhecemos bem: não é possível cravar nada, absolutamente nenhuma notícia ou repercussão, quando se trata do Presidente Jair Bolsonaro. Em uma estratégia semelhante à do colega norte-americano Donald Trump - que anuncia e derruba anúncios públicos como quem troca de roupa -, o novo chefe do Executivo nacional também já aprontou das suas, nos primeiros dez dias de governo. Entretanto, como indicou o Poder 360, o desejo é, sim, eliminar o bônus pago pela mídia a agências publicitárias - o famoso BV. A bonificação é uma espécie de retribuição dos veículos de comunicação às empresas do setor pelo volume de propaganda veiculada. Bolsonaro, que "não sabia o que era isso, aprendeu e ficou assustado", deixou bem claro que a prática "tem que deixar de existir" e que os gastos do governo com publicidade, a partir de agora, serão "racionais".

Não há ilegalidade na prática do BV - o próprio ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sancionou a lei que trata do assunto em 2010, diz a Exame. Porém, o novo comandante já alertou que quer "democratizar" as verbas publicitárias.

Caso você, caro leitor, também não faça ideia do que seja a comissão progressiva, a Gazeta do Povo fez um resuminho para ninguém ficar mais surpreso.

A gestão da SunsetDDB

Nascida da fusão entre as agências Sunset e DM9DDB, a agência será comandada por Guto Cappio, que já era CEO da Sunset e continua na mesma posição, enquanto Guilherme Jahara e Ligia Vulcano assumem a copresidência [via MegaBrasil].


DOWNLOAD

As motivações

O que te leva a abrir um aplicativo de mídias sociais? Quais são os principais gatilhos? A família, os amigos, a necessidade de ser e pertencer? Ou aproveita principalmente para se informar? O Snapchat divulgou um relatório sobre como e por quais razões as pessoas usam aplicativos sociais diferentes.


INFOGRÁFICO

Números que respondem

O conteúdo em vídeo é o formato de melhor desempenho nas redes sociais e pode ajudar a aumentar o reconhecimento da marca, o interesse e as conversões. O time da Renderforest conversou com mais de 1.000 profissionais de marketing e levantou informações sobre como estão usando o conteúdo de vídeo e quais são os principais resultados. Criou um infográfico com 13 das estatísticas mais relevantes.


Rapidinhas...

… ou o que andamos lendo!